Viver a minha essência

Eu, Michelle Zamproni Boaventura, nasci em uma família linda e feliz. Como em todas as outras, passamos por várias coisas lindas e outras nem tanto, mas eu preciso começar a escrever minha história falando um pouco deles, pois são eles a base da pessoa que eu sou e quem ainda quero ser.

Meus pais são um exemplo de luta e solidariedade. Eu fui educada para pensar e acreditar que uma menina pode sonhar e alcançar seus sonhos, desde que com muita dedicação e empenho. Eu sempre entendi que eu poderia ser quem eu bem quisesse, seja jornalista, professora, dona de casa, mãe ou astronauta. Eu imagino que se eu tivesse dito aos meus pais que eu queria ser uma astronauta, eles teriam movido céus e terra para que eu chegasse ao menos perto da possibilidade de alcançar esse sonho.

Quando criança, eu fugia um pouco do padrão. Éramos 3 amigas que tinham um projeto (ok, era só um fã clube, mas para a gente era um projeto enorme) e sabíamos que precisávamos de dinheiro para realizar as atividades necessárias. Nós vendíamos brigadeiro, bolo e coxinha, tudo feito por nós mesmas. Nessa fase, eu tinha 12 anos e já tinha noção de custo, preço, lucro e investimento. Vendíamos fotos, trocávamos informações, íamos para São Paulo de trem e metrô sozinhas, e participamos até de programas de televisão. Nós não tínhamos conta em banco então a gente comprava dólares do pai de um vizinho para fazer o dinheiro render. Foi uma fase incrível.

Cresci, me apaixonei e muito nova decidi me tornar esposa. Muitos dos meus sonhos ficaram guardadinhos em uma caixinha dentro de mim. Entrei na faculdade de psicologia e vivia um sonho, pois estudar psicologia era algo incrível. Nós nos mudamos de cidade e acabei saindo da faculdade. Arrumei um emprego como professora de inglês e fiquei grávida aos 22 anos. Minha vida mudou imensamente e passei entender aquela frase “ter um filho e ter seu coração batendo fora do seu corpo”. Foi uma fase difícil onde eu era mãe, esposa, tinha casa para cuidar e ainda dava aulas de segunda a sábado. Eu era muito pressionada a deixar tudo para cuidar somente do meu Lucas e da casa, mas eu sabia que não poderia deixar minhas aspirações profissionais de lado. Isso foi essencial para que eu entendesse, aos 25 anos, que eu não precisava mais estar em um relacionamento abusivo e eu podia sim tocar minha vida somente eu e meu filho.  Eu considero esse o momento de virada de mesa na minha vida.

Eu voltei com meu filho para a casa dos meus pais. Na época, eu achava que era uma situação vergonhosa, mas hoje vejo que para seguir adiante, as vezes precisamos dar uns passos para trás para entender o quadro geral.  Foi nessa época que vivi minha juventude. Tinha amigos, saia, dançava e vivia feliz. E foi nesse momento feliz e intenso da minha vida que eu encontrei aquele que eu costumo dizer que é a minha resposta de oração. Ele era exatamente como eu pedi a Deus e o melhor de tudo: incentivava meus sonhos. Foi ele que me incentivou a voltar a estudar, a buscar novas oportunidades de carreira e principalmente, me mostrou que não era problema e vergonha nenhuma recomeçar em uma nova carreira depois dos 30 anos. Nos casamos quando eu tinha 31 anos, 2 anos depois de me formar como jornalista (um sonho de criança) e 2 anos depois recomeçar minha carreira na área de TI (não, eu nunca trabalhei com jornalismo…).

Comecei na empresa no cargo mais baixo que existia. O salário era ok, mas havia possibilidades de crescimento. Me encontrei em algo que nunca imaginei que seria minha praia. Depois de 2 anos, fui transferida para a área de projetos e me apaixonei. Nunca imaginei que encontraria um trabalho que tivesse tão a ver comigo. Então eu comecei a correr atrás das certificações que me deixariam mais por dentro da área de gestão de TI e fiz um MBA em gestão de projetos. Com o progresso na empresa veio também melhorias financeiras e nesse momento comecei a viver meu sonho maior: conhecer o mundo.

Antes de iniciar minha jornada, eu investi em um intercâmbio cultural para meu filho. Eu tive essa mesma oferta dos meus pais na minha adolescência, mas ainda bem que o Lucas foi muito mais inteligente que eu e agarrou a oportunidade. Depois era a nossa vez. Digo nossa porque, além de um companheiro incrível e incentivador, meu marido compartilhava esse sonho comigo. O grande desafio é que férias é só uma vez no ano e o mundo é muito grande. Mas estamos conquistando um lugar a cada ano. E tem sido simplesmente incrível. Descobri que meu hobby é criar roteiro de viagens e passo o ano detalhando cada dia de nossas viagens.

Eu tinha um plano de me aposentar nos próximos 10 anos e me dedicar a um empreendimento meu. Acredito que lá dentro ainda mora a Michelle da infância, que tinha um pensamento empreendedor e não tinha medo de arriscar. Resgatar essa essência se tornou meu novo plano de vida e acho que em breve, irei adicionar a minha história a criação da minha pequena empresa.

 

Esta sou eu e este é um resumo da minha história.

 

Michelle é mãe, esposa, filha e corre atrás dos seus sonhos
Sylvia Bellio

Sylvia Bellio

CEO & Co-Founder | Apoio o crescimento das empresas através de arquitetura digital | DWEN Member | Female Force Member

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